Beatriz Santomauro
Para ser um professor eficiente, não basta ter boa vontade. É preciso estudar muito e sempre, dedicar-se, planejar e pensar em diferentes estratégias e materiais para utilizar nas aulas. Para levar todos - sim, todos! - a aprender, é essencial ainda considerar as necessidades de cada um e avaliar constantemente os resultados alcançados. Apesar de complexo, esse não é um trabalho solitário: com os colegas da equipe docente, você deve formar um verdadeiro time, apoiado pelo diretor e pelo coordenador pedagógico da escola. Seu desempenho, no entanto, só será realmente bom se você conhecer o que pensam os alunos e considerar que as famílias são parceiras no processo de ensino.
Organizar bem seu tempo, planejar de acordo com as necessidades de cada aluno, promover um ambiente de cooperação... Confira essas e outras questões essenciais para o sucesso de seu trabalho na opinião de um grupo de 11 especialistas.
Confira
as ações propostas por eles. A sugestão é que você perceba o que já
incorporou à sua prática e o que precisa incluir no seu dia a dia para
fazer com que o ano seja grandioso.
PLANEJAMENTO
1. Adapte o currículo da rede à realidade
Um
plano de trabalho anual baseia-se no projeto pedagógico e nas
orientações curriculares da Secretaria da Educação e deve estar de
acordo com as necessidades de aprendizagem dos alunos da instituição.
2. "O
trabalho em classe depende do que é feito antes e depois dele. Por
isso, estude o assunto e pense nas melhores maneiras de ensiná-lo. Crie
as condições para a aprendizagem."
Priscila Monteiro, coordenadora
da formação em Matemática da prefeitura de São Caetano do Sul, na
Grande São Paulo, e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador
Nota 10
3. Administre bem o horário de trabalho
Distribuir os conteúdos pelo tempo das aulas é complicado. Para determinar as atividades prioritárias,
baseie-se na experiência de anos anteriores e na de colegas. Pense na
quantidade de horas que você vai dedicar aos estudos, à elaboração das
aulas e à correção de tarefas.
4. Antecipe as respostas dos alunos
Cada
problema proposto por você provoca um efeito no grupo. Os alunos podem
apresentar respostas e dúvidas variadas e seguir estratégias diversas de
resolução. Antes de iniciar a aula, pense em intervenções que colaborem
para todos avançarem em relação ao conteúdo tratado.
ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO
5. Selecione os recursos para cada atividade
A
escolha dos livros que serão consultados pela garotada e a organização
de materiais como brinquedos, calculadoras, jogos e letras móveis -
enfim, de tudo o que será usado na aula - precisa ser feita com
antecedência. Desse modo, todos terão à disposição os recursos mais
adequados e úteis para a realização das diferentes tarefas.
6. Reorganize a sala de acordo com a tarefa
A
adequação do ambiente é o primeiro passo para um trabalho produtivo.
Por isso, deixe-o arrumado de forma compatível com a atividade a ser
realizada. Ao encontrar o pátio com cordas e bolas ou uma sala escura
para ouvir histórias de terror, todos se envolvem mais com a proposta de
ação.
Não
deixe que computadores e materiais específicos para o ensino de Arte ou
de Ciências, por exemplo, fiquem encaixotados por falta de iniciativa
ou medo de que estraguem. Se isso ocorre em sua escola, procure uma
formação específica para utilizar esses recursos adequadamente e
compartilhe essa atitude com seus colegas.
8. Não tranque os livros no armário
Obras
de diferentes gêneros que compõem o acervo da escola precisam ficar
disponíveis para consulta ou leitura por prazer. Em vez de deixá-las em
armários trancados, coloque-as em uma sala de fácil acesso ou na própria
classe, em prateleiras ou caixas à vista. Isso incentiva o hábito da
leitura e o cuidado no manuseio das publicações.
9. "Manter
os trabalhos dos alunos expostos faz com que aprendam a apreciar e
valorizar o que é do outro e acompanhar o que foi feito por todos."
Roberta Panico, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac)
Ao
terminar uma atividade, a responsabilidade por organizar a sala pode
ser dividida com toda a turma. Deixar em ordem o ambiente compartilhado
com colegas e professores de outras classes demonstra respeito aos
demais.
11. Transgrida e mude sua prática
Experimente
novos materiais, varie o tipo de atividade e reveja estratégias
constantemente. Evite induzir todos os passos dos estudantes e permita
que encontrem outras formas de trabalho. Essa mudança de rumo alarga as
possibilidades de aprendizagem deles.
GESTÃO DA SALA DE AULA
12. Exponha a rotina diariamente
É
essencial mostrar o que você vai ensinar, explicitando os objetivos, o
conteúdo tratado, em quanto tempo isso vai se dar e como será a
dinâmica. Sabendo o que têm a fazer, todos criam a expectativa correta
diante da aula, se organizam melhor e se sentem mais seguros.
13. Negocie acordos com a garotada
Apenas
exibir o regulamento que deve ser seguido na escola não convence
crianças e jovens e, por isso, não funciona. Os famosos combinados
também só são bem aceitos quando feitos coletivamente e não impostos por
você de maneira disfarçada. Assim todos veem sentido nas regras e
passam a adotá-las.
14. Tenha interesse pelas ideias dos estudantes
Ao
propor atividades instigantes, em que são levantadas hipóteses, conheça
o pensamento de cada um. O que eles dizem sobre aquele assunto? Esse
conhecimento é fundamental para conduzir a aula. Em vez de apenas
corrigir erros, encaminhe o raciocínio dos alunos para que solucionem o
problema.
15. "A
lição de casa deve ser um momento individual de estudo, descoberta e
reflexão. Seu objetivo não é, nem de longe, a repetição de exercícios
que só reproduzem conteúdos vistos em classe."
Karla Emanuella Veloso Pinto, Educadora
do Ano do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10 de 2009 e professora
de Geografia do Centro Educacional NDE UFLA, em Lavras, MG
16. Enriqueça seu trabalho com as parcerias
Se
sua escola tem acordos com outras instituições, utilize os recursos
disponibilizados por elas da melhor forma possível. Lembre-se de que
essa ajuda deve complementar ou aprimorar atividades que estejam de
acordo com o projeto pedagógico da escola e com os objetivos de seu
planejamento.
RESPEITO À DIVERSIDADE
17. Ao formar grupos, junte saberes diversos
Seu
papel na divisão da classe para atividades em equipe é fundamental.
Considere muito mais do que afinidades e reúna aqueles com conhecimentos
diferentes e próximos, que têm a aprender e ensinar. Explique que todos
precisam atuar juntos para trocar informações - o que é diferente de
cada um fazer uma parte da tarefa e juntar tudo no fim.
18. Acompanhe quem tem mais dificuldade
Não
existem turmas homogêneas. Para atender os estudantes com diferentes
graus de desenvolvimento, são necessárias estratégias variadas. Pense,
com antecedência, em atividades que podem ser mais adequadas e
desafiadoras para aqueles que não estão no mesmo nível da maioria.
19. Considere e valorize as competências
Para
que aqueles que apresentam necessidades educacionais especiais aprendam
como os demais, busque ajuda na sala de recursos para fazer adaptações
em relação aos materiais usados, ao tempo reservado para as tarefas, aos
conteúdos ensinados e ao espaço. Assim, o foco das propostas deixa de
ser a deficiência e passa a ser as possibilidades dos alunos.
20. "Valorize
sua relação com a criança que tem algum tipo de deficiência para
reconhecer suas necessidades: nada substitui o vínculo e o olhar
observador."
Daniela Alonso, consultora na área de inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10
21. Fique atento à experiência de todos
Em
uma sala de aula, cada um tem uma história, vem de uma família
diferente e tem uma bagagem de experiências culturais. Valorize essa
heterogeneidade e note que a turma não tem uma só identidade, mas é o
resultado das características de cada indivíduo.
Seu
papel também é garantir que se estabeleçam relações de confiança e
respeito. Por isso, torne constantes as propostas que proporcionam a
cooperação, a amizade, o respeito às diferenças e o cuidado com o outro.
23. Dê o exemplo e não se omita no dia a dia
Assistir
a uma situação em que ocorrem desrespeito ou preconceito sem reagir não
condiz com o trabalho docente. Ao ser omisso, você passa uma mensagem à
meninada. Por isso, destaque os comportamentos éticos e não deixe que
outro tipo de relação faça parte da rotina da escola.
AVALIAÇÃO
24. Faça sempre o diagnóstico inicial
Antes
de ensinar um conteúdo, faça o diagnóstico. Ele é uma ferramenta rica
para registrar em que nível cada um está e o que falta para que os
objetivos propostos sejam alcançados. Além disso, considere essas
informações até o fim do ano. Elas são úteis para a análise do percurso
da garotada.
Os
critérios de avaliação devem estar sempre claros. Só quando o estudante
sabe os objetivos de cada atividade e o que você espera, ele passa a se
responsabilizar pelo próprio aprendizado. Essa prática é ainda mais
importante do 6º ao 9º ano, quando há vários professores e é preciso
coordenar diferentes maneiras de trabalho.
26. Documente os trabalhos significativos
Registrar
as atividades e guardar as produções mais relevantes é importante para
analisar o percurso de cada um e o que foi vivido em sala. Esse material
é útil tanto para você orientar as próximas intervenções como para os
pais e futuros professores conhecerem a vida escolar de cada estudante.
Ao
desafiar os jovens com questões sobre o que ainda não foi visto em sala,
você analisa o percurso que estão construindo e a relação que fazem
entre o conhecimento adquirido e informações novas.
28. Compartilhe os erros e os acertos
O
principal objetivo das avaliações não deve ser atender à burocracia, ou
seja, determinar as notas a ser enviadas à secretaria. A função delas é
mostrar a você e à meninada o que foi aprendido e o que ainda falta.
Por isso, compartilhe os resultados pontuando os erros e mostrando como
podem ser revistos.
29. "Na
hora de avaliar, note três aspectos: o avanço de todo o grupo, as
mudanças de cada estudante e o aprendizado dele em relação à turma."
Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)30. Use a avaliação para mudar o rumo
Propostos
durante todo o ano, provas, seminários, relatórios e debates mostram o
que a garotada aprendeu ao longo do processo. Essas ferramentas só são
úteis quando servem para você redirecionar a prática e oferecer pistas
sobre novas estratégias ou como trabalhar conteúdos de ensino.
A
autoavaliação é preciosa para ajudar a perceber fragilidades. Todos os
dias, ocorrem situações que permitem repensar o trabalho em sala e o
contato estabelecido com a equipe e a família dos alunos. Coloque essas
práticas em xeque: alcancei os objetivos? Consegui ensinar os conteúdos
previstos? Em que preciso melhorar? Tendo isso claro, fica mais fácil
buscar alternativas.
RELAÇÃO COM A COMUNIDADE
32. Paute as reuniões com os pais
Os
assuntos tratados em cada encontro devem ser determinados de acordo com
o que está sendo desenvolvido naquele momento com os alunos. Liste o
que é relevante para os pais saberem e agende a reunião em um horário
compatível com a rotina dos pais.
33. Faça parcerias com os responsáveis
A
reunião de pais não é o momento de críticas, mas de favorecer a
participação e a parceria deles com você. Para isso, diga como a escola
vê o processo de aprendizagem e mostre a produção dos alunos.
Durante
as reuniões, peça que os pais se apresentem e digam o que fazem. Anote
tudo. Essas informações são valiosas para conhecer as profissões deles e
pensar de que forma podem colaborar no desenvolvimento dos projetos
didáticos.
35. "Muitos
pais não se manifestam nas reuniões porque não sabem quais são os
objetivos da escola. Quando o professor apresenta informações como
essas, a participação aumenta."
Ana Amélia Inoue, coordenadora do Instituto Pedagógico Acaia, em São Paulo, SP, e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10
36. Resolva as questões recorrentes
As
reclamações citadas com frequência pelos pais devem, sempre que
possível, ser levadas em conta para que sejam solucionadas rapidamente.
Dar atenção às falas legitima a participação deles.
Levando
em conta as características e as necessidades da comunidade em que está
inserida a escola, proponha maneiras de organizar ações com o objetivo
de alcançar o bem-estar comum e participe dos movimentos realizados
pelos moradores, como o plantio de árvores no jardim e a reivindicação
de segurança em relação ao trânsito local.
TRABALHO EM EQUIPE
38. Planeje com a ajuda dos colegas
Uma
aula só é boa se é bem preparada. Aproveite o horário de trabalho
pedagógico coletivo para isso. Você pode compartilhar ideias, articular
conteúdos e planejar projetos em conjunto, medidas indispensáveis para
construir uma escola de qualidade.
Para
pensar as avaliações, dar ideias sobre materiais de uso em sala ou como
trabalhar determinado conteúdo, o coordenador pedagógico é um belo
parceiro. Convide-o a observar as aulas e indicar atividades e formas de
aprimorar sua relação com o grupo.
Ao
trocar ideias com outros professores, dê menos ênfase às questões de
comportamento dos estudantes e mais às relativas à aprendizagem. Comente
sobre o processo de cada aluno e questione se eles têm desempenho
semelhante ao apresentado em suas aulas.
Uma
boa convivência entre os colegas de trabalho deve ser pautada pelo
conhecimento, pela colaboração e pela cooperação. É assim que se
constrói um ambiente de troca de experiências profissionais. Não crie
muitas expectativas: fazer amigos na escola é lucro.
42. "Tanto professores mais experientes como profissionais mais jovens podem ser seus parceiros. Respeite as opiniões deles."
Marlene de Lima Ferreira, coordenadora do Programa Escola que Vale, em Paragominas, a 323 quilômetros de Belém
FORMAÇÃO
43. Identifique e supere suas dificuldades
O
primeiro passo para buscar mudanças é determinar suas falhas. Invista
no que pode ser aperfeiçoado: peça ajuda à equipe pedagógica, que pode
indicar livros, busque na internet orientações para suas dúvidas e
converse com os professores para se aprofundar em determinados temas.
Depois
de organizar suas produções, compartilhe-as com os colegas. Conte a
eles o desempenho das classes e o resultado das atividades. Para dar
mais visibilidade e prestígio à sua carreira, amplie essa divulgação
para a rede e inscreva-se em prêmios e congressos.
Os
cursos de formação são os momentos mais ricos para conhecer educadores.
As experiências trazidas por eles podem enriquecer seu repertório,
ajudando a lidar com diferentes situações. Com a mediação dos docentes
que ministram as aulas, você pode refletir sobre casos reais.
Faz
parte do trabalho docente pesquisar e ficar em dia com o que há de novo
na área. Veja os programas disponíveis no Ministério da Educação (MEC) e
na sua rede de ensino. Antes de se inscrever em cursos online,
verifique qual a metodologia e o material didático adotados.
47. Use a tecnologia para ensinar
Muitos
jovens devem ter melhor domínio do computador do que você. Se eles
sabem usar a máquina, sua contribuição deve ser mostrar como ela pode
ajudar a aprender os conteúdos. Procure capacitação para incorporar
recursos que aprimorem o ensino da disciplina que você leciona.
Para
conhecer resultados de uma nova pesquisa, se aprofundar em algum
assunto e ampliar um saber, assistir a palestras é uma boa opção. Por
ser uma atividade passiva, ela não substitui a formação em que há a
troca de experiências entre profissionais.
49. "O
professor é alguém inspirador, seguido pelos alunos. Por isso, seja uma
pessoa melhor ao diversificar seus interesses e conhecimentos e
observar o mundo."
Ana Cláudia Rocha, diretora do Centro de Formação de Professores de São Caetano do Sul, SP50. Procure planejar seu futuro
Quer
trocar de área e de escola, cursar outra faculdade ou uma
pós-graduação? Faça uma ampla pesquisa para acertar nas mudanças,
alavancar sua carreira e se tornar um professor melhor.
Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-continuada/50-ideias-2010-518585.shtml?page=8
Beatriz Santomauro
Para ser um professor eficiente, não basta ter boa vontade. É preciso estudar muito e sempre, dedicar-se, planejar e pensar em diferentes estratégias e materiais para utilizar nas aulas. Para levar todos - sim, todos! - a aprender, é essencial ainda considerar as necessidades de cada um e avaliar constantemente os resultados alcançados. Apesar de complexo, esse não é um trabalho solitário: com os colegas da equipe docente, você deve formar um verdadeiro time, apoiado pelo diretor e pelo coordenador pedagógico da escola. Seu desempenho, no entanto, só será realmente bom se você conhecer o que pensam os alunos e considerar que as famílias são parceiras no processo de ensino.
Organizar bem seu tempo, planejar de acordo com as necessidades de cada aluno, promover um ambiente de cooperação... Confira essas e outras questões essenciais para o sucesso de seu trabalho na opinião de um grupo de 11 especialistas.
Confira
as ações propostas por eles. A sugestão é que você perceba o que já
incorporou à sua prática e o que precisa incluir no seu dia a dia para
fazer com que o ano seja grandioso.
PLANEJAMENTO
1. Adapte o currículo da rede à realidade
Um
plano de trabalho anual baseia-se no projeto pedagógico e nas
orientações curriculares da Secretaria da Educação e deve estar de
acordo com as necessidades de aprendizagem dos alunos da instituição.
2. "O
trabalho em classe depende do que é feito antes e depois dele. Por
isso, estude o assunto e pense nas melhores maneiras de ensiná-lo. Crie
as condições para a aprendizagem."
Priscila Monteiro, coordenadora
da formação em Matemática da prefeitura de São Caetano do Sul, na
Grande São Paulo, e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador
Nota 10
3. Administre bem o horário de trabalho
Distribuir os conteúdos pelo tempo das aulas é complicado. Para determinar as atividades prioritárias,
baseie-se na experiência de anos anteriores e na de colegas. Pense na
quantidade de horas que você vai dedicar aos estudos, à elaboração das
aulas e à correção de tarefas.
4. Antecipe as respostas dos alunos
Cada
problema proposto por você provoca um efeito no grupo. Os alunos podem
apresentar respostas e dúvidas variadas e seguir estratégias diversas de
resolução. Antes de iniciar a aula, pense em intervenções que colaborem
para todos avançarem em relação ao conteúdo tratado.
ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO
5. Selecione os recursos para cada atividade
A
escolha dos livros que serão consultados pela garotada e a organização
de materiais como brinquedos, calculadoras, jogos e letras móveis -
enfim, de tudo o que será usado na aula - precisa ser feita com
antecedência. Desse modo, todos terão à disposição os recursos mais
adequados e úteis para a realização das diferentes tarefas.
6. Reorganize a sala de acordo com a tarefa
A
adequação do ambiente é o primeiro passo para um trabalho produtivo.
Por isso, deixe-o arrumado de forma compatível com a atividade a ser
realizada. Ao encontrar o pátio com cordas e bolas ou uma sala escura
para ouvir histórias de terror, todos se envolvem mais com a proposta de
ação.
Não
deixe que computadores e materiais específicos para o ensino de Arte ou
de Ciências, por exemplo, fiquem encaixotados por falta de iniciativa
ou medo de que estraguem. Se isso ocorre em sua escola, procure uma
formação específica para utilizar esses recursos adequadamente e
compartilhe essa atitude com seus colegas.
8. Não tranque os livros no armário
Obras
de diferentes gêneros que compõem o acervo da escola precisam ficar
disponíveis para consulta ou leitura por prazer. Em vez de deixá-las em
armários trancados, coloque-as em uma sala de fácil acesso ou na própria
classe, em prateleiras ou caixas à vista. Isso incentiva o hábito da
leitura e o cuidado no manuseio das publicações.
9. "Manter
os trabalhos dos alunos expostos faz com que aprendam a apreciar e
valorizar o que é do outro e acompanhar o que foi feito por todos."
Roberta Panico, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac)
Ao
terminar uma atividade, a responsabilidade por organizar a sala pode
ser dividida com toda a turma. Deixar em ordem o ambiente compartilhado
com colegas e professores de outras classes demonstra respeito aos
demais.
11. Transgrida e mude sua prática
Experimente
novos materiais, varie o tipo de atividade e reveja estratégias
constantemente. Evite induzir todos os passos dos estudantes e permita
que encontrem outras formas de trabalho. Essa mudança de rumo alarga as
possibilidades de aprendizagem deles.
GESTÃO DA SALA DE AULA
12. Exponha a rotina diariamente
É
essencial mostrar o que você vai ensinar, explicitando os objetivos, o
conteúdo tratado, em quanto tempo isso vai se dar e como será a
dinâmica. Sabendo o que têm a fazer, todos criam a expectativa correta
diante da aula, se organizam melhor e se sentem mais seguros.
13. Negocie acordos com a garotada
Apenas
exibir o regulamento que deve ser seguido na escola não convence
crianças e jovens e, por isso, não funciona. Os famosos combinados
também só são bem aceitos quando feitos coletivamente e não impostos por
você de maneira disfarçada. Assim todos veem sentido nas regras e
passam a adotá-las.
14. Tenha interesse pelas ideias dos estudantes
Ao
propor atividades instigantes, em que são levantadas hipóteses, conheça
o pensamento de cada um. O que eles dizem sobre aquele assunto? Esse
conhecimento é fundamental para conduzir a aula. Em vez de apenas
corrigir erros, encaminhe o raciocínio dos alunos para que solucionem o
problema.
15. "A
lição de casa deve ser um momento individual de estudo, descoberta e
reflexão. Seu objetivo não é, nem de longe, a repetição de exercícios
que só reproduzem conteúdos vistos em classe."
Karla Emanuella Veloso Pinto, Educadora
do Ano do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10 de 2009 e professora
de Geografia do Centro Educacional NDE UFLA, em Lavras, MG
16. Enriqueça seu trabalho com as parcerias
Se
sua escola tem acordos com outras instituições, utilize os recursos
disponibilizados por elas da melhor forma possível. Lembre-se de que
essa ajuda deve complementar ou aprimorar atividades que estejam de
acordo com o projeto pedagógico da escola e com os objetivos de seu
planejamento.
RESPEITO À DIVERSIDADE
17. Ao formar grupos, junte saberes diversos
Seu
papel na divisão da classe para atividades em equipe é fundamental.
Considere muito mais do que afinidades e reúna aqueles com conhecimentos
diferentes e próximos, que têm a aprender e ensinar. Explique que todos
precisam atuar juntos para trocar informações - o que é diferente de
cada um fazer uma parte da tarefa e juntar tudo no fim.
18. Acompanhe quem tem mais dificuldade
Não
existem turmas homogêneas. Para atender os estudantes com diferentes
graus de desenvolvimento, são necessárias estratégias variadas. Pense,
com antecedência, em atividades que podem ser mais adequadas e
desafiadoras para aqueles que não estão no mesmo nível da maioria.
19. Considere e valorize as competências
Para
que aqueles que apresentam necessidades educacionais especiais aprendam
como os demais, busque ajuda na sala de recursos para fazer adaptações
em relação aos materiais usados, ao tempo reservado para as tarefas, aos
conteúdos ensinados e ao espaço. Assim, o foco das propostas deixa de
ser a deficiência e passa a ser as possibilidades dos alunos.
20. "Valorize
sua relação com a criança que tem algum tipo de deficiência para
reconhecer suas necessidades: nada substitui o vínculo e o olhar
observador."
Daniela Alonso, consultora na área de inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10
21. Fique atento à experiência de todos
Em
uma sala de aula, cada um tem uma história, vem de uma família
diferente e tem uma bagagem de experiências culturais. Valorize essa
heterogeneidade e note que a turma não tem uma só identidade, mas é o
resultado das características de cada indivíduo.
Seu
papel também é garantir que se estabeleçam relações de confiança e
respeito. Por isso, torne constantes as propostas que proporcionam a
cooperação, a amizade, o respeito às diferenças e o cuidado com o outro.
23. Dê o exemplo e não se omita no dia a dia
Assistir
a uma situação em que ocorrem desrespeito ou preconceito sem reagir não
condiz com o trabalho docente. Ao ser omisso, você passa uma mensagem à
meninada. Por isso, destaque os comportamentos éticos e não deixe que
outro tipo de relação faça parte da rotina da escola.
AVALIAÇÃO
24. Faça sempre o diagnóstico inicial
Antes
de ensinar um conteúdo, faça o diagnóstico. Ele é uma ferramenta rica
para registrar em que nível cada um está e o que falta para que os
objetivos propostos sejam alcançados. Além disso, considere essas
informações até o fim do ano. Elas são úteis para a análise do percurso
da garotada.
Os
critérios de avaliação devem estar sempre claros. Só quando o estudante
sabe os objetivos de cada atividade e o que você espera, ele passa a se
responsabilizar pelo próprio aprendizado. Essa prática é ainda mais
importante do 6º ao 9º ano, quando há vários professores e é preciso
coordenar diferentes maneiras de trabalho.
26. Documente os trabalhos significativos
Registrar
as atividades e guardar as produções mais relevantes é importante para
analisar o percurso de cada um e o que foi vivido em sala. Esse material
é útil tanto para você orientar as próximas intervenções como para os
pais e futuros professores conhecerem a vida escolar de cada estudante.
Ao
desafiar os jovens com questões sobre o que ainda não foi visto em sala,
você analisa o percurso que estão construindo e a relação que fazem
entre o conhecimento adquirido e informações novas.
28. Compartilhe os erros e os acertos
O
principal objetivo das avaliações não deve ser atender à burocracia, ou
seja, determinar as notas a ser enviadas à secretaria. A função delas é
mostrar a você e à meninada o que foi aprendido e o que ainda falta.
Por isso, compartilhe os resultados pontuando os erros e mostrando como
podem ser revistos.
29. "Na
hora de avaliar, note três aspectos: o avanço de todo o grupo, as
mudanças de cada estudante e o aprendizado dele em relação à turma."
Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)30. Use a avaliação para mudar o rumo
Propostos
durante todo o ano, provas, seminários, relatórios e debates mostram o
que a garotada aprendeu ao longo do processo. Essas ferramentas só são
úteis quando servem para você redirecionar a prática e oferecer pistas
sobre novas estratégias ou como trabalhar conteúdos de ensino.
A
autoavaliação é preciosa para ajudar a perceber fragilidades. Todos os
dias, ocorrem situações que permitem repensar o trabalho em sala e o
contato estabelecido com a equipe e a família dos alunos. Coloque essas
práticas em xeque: alcancei os objetivos? Consegui ensinar os conteúdos
previstos? Em que preciso melhorar? Tendo isso claro, fica mais fácil
buscar alternativas.
RELAÇÃO COM A COMUNIDADE
32. Paute as reuniões com os pais
Os
assuntos tratados em cada encontro devem ser determinados de acordo com
o que está sendo desenvolvido naquele momento com os alunos. Liste o
que é relevante para os pais saberem e agende a reunião em um horário
compatível com a rotina dos pais.
33. Faça parcerias com os responsáveis
A
reunião de pais não é o momento de críticas, mas de favorecer a
participação e a parceria deles com você. Para isso, diga como a escola
vê o processo de aprendizagem e mostre a produção dos alunos.
Durante
as reuniões, peça que os pais se apresentem e digam o que fazem. Anote
tudo. Essas informações são valiosas para conhecer as profissões deles e
pensar de que forma podem colaborar no desenvolvimento dos projetos
didáticos.
35. "Muitos
pais não se manifestam nas reuniões porque não sabem quais são os
objetivos da escola. Quando o professor apresenta informações como
essas, a participação aumenta."
Ana Amélia Inoue, coordenadora do Instituto Pedagógico Acaia, em São Paulo, SP, e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10
36. Resolva as questões recorrentes
As
reclamações citadas com frequência pelos pais devem, sempre que
possível, ser levadas em conta para que sejam solucionadas rapidamente.
Dar atenção às falas legitima a participação deles.
Levando
em conta as características e as necessidades da comunidade em que está
inserida a escola, proponha maneiras de organizar ações com o objetivo
de alcançar o bem-estar comum e participe dos movimentos realizados
pelos moradores, como o plantio de árvores no jardim e a reivindicação
de segurança em relação ao trânsito local.
TRABALHO EM EQUIPE
38. Planeje com a ajuda dos colegas
Uma
aula só é boa se é bem preparada. Aproveite o horário de trabalho
pedagógico coletivo para isso. Você pode compartilhar ideias, articular
conteúdos e planejar projetos em conjunto, medidas indispensáveis para
construir uma escola de qualidade.
Para
pensar as avaliações, dar ideias sobre materiais de uso em sala ou como
trabalhar determinado conteúdo, o coordenador pedagógico é um belo
parceiro. Convide-o a observar as aulas e indicar atividades e formas de
aprimorar sua relação com o grupo.
Ao
trocar ideias com outros professores, dê menos ênfase às questões de
comportamento dos estudantes e mais às relativas à aprendizagem. Comente
sobre o processo de cada aluno e questione se eles têm desempenho
semelhante ao apresentado em suas aulas.
Uma
boa convivência entre os colegas de trabalho deve ser pautada pelo
conhecimento, pela colaboração e pela cooperação. É assim que se
constrói um ambiente de troca de experiências profissionais. Não crie
muitas expectativas: fazer amigos na escola é lucro.
42. "Tanto professores mais experientes como profissionais mais jovens podem ser seus parceiros. Respeite as opiniões deles."
Marlene de Lima Ferreira, coordenadora do Programa Escola que Vale, em Paragominas, a 323 quilômetros de Belém
FORMAÇÃO
43. Identifique e supere suas dificuldades
O
primeiro passo para buscar mudanças é determinar suas falhas. Invista
no que pode ser aperfeiçoado: peça ajuda à equipe pedagógica, que pode
indicar livros, busque na internet orientações para suas dúvidas e
converse com os professores para se aprofundar em determinados temas.
Depois
de organizar suas produções, compartilhe-as com os colegas. Conte a
eles o desempenho das classes e o resultado das atividades. Para dar
mais visibilidade e prestígio à sua carreira, amplie essa divulgação
para a rede e inscreva-se em prêmios e congressos.
Os
cursos de formação são os momentos mais ricos para conhecer educadores.
As experiências trazidas por eles podem enriquecer seu repertório,
ajudando a lidar com diferentes situações. Com a mediação dos docentes
que ministram as aulas, você pode refletir sobre casos reais.
Faz
parte do trabalho docente pesquisar e ficar em dia com o que há de novo
na área. Veja os programas disponíveis no Ministério da Educação (MEC) e
na sua rede de ensino. Antes de se inscrever em cursos online,
verifique qual a metodologia e o material didático adotados.
47. Use a tecnologia para ensinar
Muitos
jovens devem ter melhor domínio do computador do que você. Se eles
sabem usar a máquina, sua contribuição deve ser mostrar como ela pode
ajudar a aprender os conteúdos. Procure capacitação para incorporar
recursos que aprimorem o ensino da disciplina que você leciona.
Para
conhecer resultados de uma nova pesquisa, se aprofundar em algum
assunto e ampliar um saber, assistir a palestras é uma boa opção. Por
ser uma atividade passiva, ela não substitui a formação em que há a
troca de experiências entre profissionais.
49. "O
professor é alguém inspirador, seguido pelos alunos. Por isso, seja uma
pessoa melhor ao diversificar seus interesses e conhecimentos e
observar o mundo."
Ana Cláudia Rocha, diretora do Centro de Formação de Professores de São Caetano do Sul, SP50. Procure planejar seu futuro
Quer
trocar de área e de escola, cursar outra faculdade ou uma
pós-graduação? Faça uma ampla pesquisa para acertar nas mudanças,
alavancar sua carreira e se tornar um professor melhor.
Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-continuada/50-ideias-2010-518585.shtml?page=8
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