Com kits de máscara e capa, professora percorre 43 endereços com carro de som para rever seus alunos em casa
Professora Maura foi às casas de 43 alunos para matar saudades
Maura esqueceu o celular em casa, mas não faltaram registros com os alunos. Pais e mães filmaram a reação dos filhos, atônitos com a chegada surpresa da “tia”. No fim do dia, as imagens ganharam as redes sociais, e até ex-alunos dos mais de 25 anos de magistério da professora se emocionaram com a iniciativa.
Reação de família à chegada da “tia”
— Tenho uma ligação muito intensa com eles, alguns estão comigo há cinco anos. Estava com muita saudade. Cada abraço foi essencial. Parecia que estávamos refazendo todas as conexões, o que ficou parado em março — diz a professora. — Nas videoaulas, as crianças já estavam falando “tia, queria estar aí na sua casa para te dar um abraço”. Elas já estão no limite, mas não têm noção do bem que fizeram para mim.
Para que ninguém corresse riscos, Maura fez um “kit abraço”: comprou luvas e capas plásticas descartáveis para ela e cada aluno e confeccionou máscaras de tecido com estampas coloridas. Cada proteção foi higienizada e vedada em embalagens individuais. Além disso, a professora entrou em contato com os responsáveis, para garantir que estivessem de acordo com a surpresa. Para adoçar o encontro, os pequenos ganharam um saquinho de doces.
— Minha preocupação era que fosse seguro. Fiz questão de abrir as embalagens na frente dos pais, para mostrar que estava tomando cuidado. São 57 alunos, mas alguns não estavam em casa, ou não achamos o endereço. Vou visitar os 14 que faltam em breve — promete.
Professora Maura revê alunos em casa
Consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, a médica Tania Vergara observa que os cuidados tomados pela professora para evitar possível contaminação são fundamentais.
— É uma barreira (a proteção com capa e máscara). Precisa higienizar os dois lados (da capa, com álcool gel) muito bem a cada troca de pessoas — reforçou.
As visitas foram animadas. Além de Padre Miguel, onde fica a escola, Maura percorreu os bairros de Realengo, Bangu e Vila Kennedy. A trilha sonora do carro de som que a seguia foi uma seleção de músicas que os alunos já costumam ouvir em aula. A ideia era que eles reconhecessem às canções.
Abraço com proteção
Mestre e aluno juntos após 4 meses
E deu certo. Quando Maura chegou à casa de Matheus, de 9 anos, o carro tocava “Peça felicidade”, do trio Melim, e o menino, aluno da professora há cinco anos, correu para ver o que estava acontecendo:
— Eu tinha falado que teria uma surpresa, e ele ficou naquela expectativa. Eles têm uma ligação muito forte. Não é só uma ligação aluno-professor, parece que ela é da família — conta a mãe do menino, Natielle Otoni, de 28 anos. — Foi maravilhoso. Ela é uma professora fora do comum, não fica só no básico, nas tarefas de aula. Ele ficou todo emocionado.
Na casa da esteticista Eloá Amorim, de 34 anos, a professora chegou quando a família almoçava, e a visita transformou o domingo em festa.
— Ela disse que faria uma surpresa, mas não sabíamos o que seria, e as crianças não sabiam de nada. O João ficou sem ação. Fiquei muito emocionada, com os olhos cheios d’água. Ela é muito carinhosa com todos eles. Até meu caçula, que não é aluno dela, ganhou presente. Para quem tem irmão, ela fez tudo igualzinho, como se fosse aluno dela também — contou Eloá, mãe de João Gabriel e Jonatas, de 8 e 7 anos.
A saída criativa para amenizar a saudade dos alunos, após quatro meses longe, foi mais uma das muitas ideias da professora, sempre inquieta em sala de aula, pensando em novos formatos para as tarefas do dia a dia. Mas, em meio a pandemia, tudo ficou mais difícil e desafiador, segundo Maura. As atividades que fazia em sala de aula, como sessões de cinema, lanches, brincadeiras e até passeios para locais como AquaRio, Floresta da Tijuca e Bienal do Livro, foram substituídas por atividades online.
— A sala da minha casa agora é minha sala de aula. Pelas videoaulas, entro na casa das crianças todos os dias. Conheço a sala, o quarto, a cozinha. Nessa situação atípica, nossas ações não podem ser as mesmas. E não podemos nos ater apenas ao conteúdo, mas também ao emocional. Temos que inventar, à distância, um jeito mais próximo ao que a gente tinha em sala. Conversamos sobre nosso dia, fazemos atividades que envolvam a família. Tudo precisa ser dinamizado. Tem que ser bom, tem que ser feliz. A cada dia, é uma ideia nova — ensina.
Com kits de máscara e capa, professora percorre 43 endereços com carro de som para rever seus alunos em casa
Professora Maura foi às casas de 43 alunos para matar saudades
Maura esqueceu o celular em casa, mas não faltaram registros com os alunos. Pais e mães filmaram a reação dos filhos, atônitos com a chegada surpresa da “tia”. No fim do dia, as imagens ganharam as redes sociais, e até ex-alunos dos mais de 25 anos de magistério da professora se emocionaram com a iniciativa.
Reação de família à chegada da “tia”
— Tenho uma ligação muito intensa com eles, alguns estão comigo há cinco anos. Estava com muita saudade. Cada abraço foi essencial. Parecia que estávamos refazendo todas as conexões, o que ficou parado em março — diz a professora. — Nas videoaulas, as crianças já estavam falando “tia, queria estar aí na sua casa para te dar um abraço”. Elas já estão no limite, mas não têm noção do bem que fizeram para mim.
Para que ninguém corresse riscos, Maura fez um “kit abraço”: comprou luvas e capas plásticas descartáveis para ela e cada aluno e confeccionou máscaras de tecido com estampas coloridas. Cada proteção foi higienizada e vedada em embalagens individuais. Além disso, a professora entrou em contato com os responsáveis, para garantir que estivessem de acordo com a surpresa. Para adoçar o encontro, os pequenos ganharam um saquinho de doces.
— Minha preocupação era que fosse seguro. Fiz questão de abrir as embalagens na frente dos pais, para mostrar que estava tomando cuidado. São 57 alunos, mas alguns não estavam em casa, ou não achamos o endereço. Vou visitar os 14 que faltam em breve — promete.
Professora Maura revê alunos em casa
Consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, a médica Tania Vergara observa que os cuidados tomados pela professora para evitar possível contaminação são fundamentais.
— É uma barreira (a proteção com capa e máscara). Precisa higienizar os dois lados (da capa, com álcool gel) muito bem a cada troca de pessoas — reforçou.
As visitas foram animadas. Além de Padre Miguel, onde fica a escola, Maura percorreu os bairros de Realengo, Bangu e Vila Kennedy. A trilha sonora do carro de som que a seguia foi uma seleção de músicas que os alunos já costumam ouvir em aula. A ideia era que eles reconhecessem às canções.
Abraço com proteção
Mestre e aluno juntos após 4 meses
E deu certo. Quando Maura chegou à casa de Matheus, de 9 anos, o carro tocava “Peça felicidade”, do trio Melim, e o menino, aluno da professora há cinco anos, correu para ver o que estava acontecendo:
— Eu tinha falado que teria uma surpresa, e ele ficou naquela expectativa. Eles têm uma ligação muito forte. Não é só uma ligação aluno-professor, parece que ela é da família — conta a mãe do menino, Natielle Otoni, de 28 anos. — Foi maravilhoso. Ela é uma professora fora do comum, não fica só no básico, nas tarefas de aula. Ele ficou todo emocionado.
Na casa da esteticista Eloá Amorim, de 34 anos, a professora chegou quando a família almoçava, e a visita transformou o domingo em festa.
— Ela disse que faria uma surpresa, mas não sabíamos o que seria, e as crianças não sabiam de nada. O João ficou sem ação. Fiquei muito emocionada, com os olhos cheios d’água. Ela é muito carinhosa com todos eles. Até meu caçula, que não é aluno dela, ganhou presente. Para quem tem irmão, ela fez tudo igualzinho, como se fosse aluno dela também — contou Eloá, mãe de João Gabriel e Jonatas, de 8 e 7 anos.
A saída criativa para amenizar a saudade dos alunos, após quatro meses longe, foi mais uma das muitas ideias da professora, sempre inquieta em sala de aula, pensando em novos formatos para as tarefas do dia a dia. Mas, em meio a pandemia, tudo ficou mais difícil e desafiador, segundo Maura. As atividades que fazia em sala de aula, como sessões de cinema, lanches, brincadeiras e até passeios para locais como AquaRio, Floresta da Tijuca e Bienal do Livro, foram substituídas por atividades online.
— A sala da minha casa agora é minha sala de aula. Pelas videoaulas, entro na casa das crianças todos os dias. Conheço a sala, o quarto, a cozinha. Nessa situação atípica, nossas ações não podem ser as mesmas. E não podemos nos ater apenas ao conteúdo, mas também ao emocional. Temos que inventar, à distância, um jeito mais próximo ao que a gente tinha em sala. Conversamos sobre nosso dia, fazemos atividades que envolvam a família. Tudo precisa ser dinamizado. Tem que ser bom, tem que ser feliz. A cada dia, é uma ideia nova — ensina.





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